Fazer bem todas as coisas, o chamado à vida cristã no cotidiano
10 de setembro de 2024, tera
Os discípulos de Jesus, em todas as épocas, encontram no Mestre o modelo perfeito de como agir nas diferentes situações da vida. Sabendo que Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, entendemos que Jesus é o guia infalível para a nossa jornada nesta terra. A fé cristã nos permite reconhecer em Cristo os valores mais elevados: Deus é verdadeiro, bom, justo e belo. Ao percorrermos as páginas do Evangelho, vemos claramente essas características, como bem expressa a passagem proclamada no 23º Domingo do Tempo Comum: “Ele faz bem todas as coisas. Faz os surdos ouvirem e os mudos falarem” (Mc 7,31-37). Essas palavras ecoam o salmista que declara: “Tu és o mais belo dos homens, nos teus lábios se espalha a graça, por isso Deus te abençoou para sempre” (Sl 44,3).
Ao olharmos para a Casa de Nazaré, podemos imaginar os valores que ali floresceram, orientando a vida de Jesus e sua família. Maria, a "cheia de graça", escolheu ser a serva do Senhor (Lc 1,38), enquanto José, descrito como um homem justo (Mt 1,19), vivia em total obediência à vontade divina revelada em seus sonhos. Juntos, Maria e José nos deixaram um legado de fé e de compromisso com os planos de Deus, que se reflete em cada detalhe da vida familiar e cotidiana.
Jesus, igual a nós em tudo, exceto no pecado, cresceu no seio dessa família. Aprendeu a obedecer (cf. Hb 5,8-9), a viver as virtudes humanas e a interagir com os vizinhos e amigos. Frequentou a sinagoga de Nazaré, vivenciou as tradições e a cultura de seu povo, e, como filho de um carpinteiro, dominou a profissão de José com perfeição. Ao imaginarmos essa casa simples, provavelmente construída com pedras e terra batida, podemos visualizar a harmonia e a ordem que ali reinavam, refletindo a presença de Maria, a mais expressiva mãe da história.
Durante sua visita a Nazaré, em 1964, São Paulo VI refletiu sobre o significado profundo desse lugar, chamando-o de "escola do Evangelho". Ali, segundo ele, se aprende a simplicidade, o silêncio, o valor da vida familiar e a dignidade do trabalho. Nazaré nos ensina que o silêncio é uma condição indispensável para o espírito, nos permitindo ouvir a voz de Deus. A vida familiar ali vivida nos mostra a beleza da comunhão de amor e o caráter sagrado da família, enquanto o trabalho de Jesus nos lembra que a nobreza do esforço humano está nos valores que ele carrega, mais do que em seu retorno material.
Jesus, o Senhor que "faz os surdos ouvirem e os mudos falarem" (Mc 7,31-37), não deixava ninguém sem atenção, cura e misericórdia. Ele é o cumprimento dos sonhos proféticos, aquele em quem se encontra a realização dos desejos mais profundos da humanidade (cf. Is 35,4-7). Como discípulos, somos chamados a aprender e viver essas virtudes humanas que nos distinguem, não por orgulho, mas para sermos sinais visíveis do Reino de Deus, já presente entre nós. Esse Reino é o "reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino de justiça, do amor e da paz" (cf. Prefácio da Solenidade de Cristo Rei).
Que em nossas casas reine a harmonia e a atenção aos detalhes, como na casa da Sagrada Família. Desde os pequenos gestos de cuidado no lar até a dedicação no trabalho, somos convidados a viver com um coração aberto e mãos dispostas a colaborar com Deus na obra da criação. Não deixemos que nossa vida se limite à mediocridade, mas sejamos inspirados por grandes ideais, dignos dos filhos de Deus, que nos quer felizes aqui e na eternidade!
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