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06 FEV
[Turismo Religioso no Brasil: desafios e esperanças]

Turismo Religioso no Brasil: desafios e esperanças


O Turismo Religioso, como nós compreendemos na tradição cristã católica, no sentido de peregrinação, deslocamento em busca dos lagares sagrados, busca de oásis espiritual que reabasteça a caminhada, tem suas origens no Judaísmo, que levava (e ainda leva) os seus fieis para o Templo de Jerusalém, hoje um pedaço de muro que, de tanta saudade daquele tempo, recebe o nome de Muro das Lamentações. Quando os cristãos dos primeiros séculos iniciaram as visitas ao Santo Sepulcro, começaram as peregrinações do cristianismo. Depois dos Santo Sepulcro, os outros lugares santos de Israel, as sepulturas de São Pedro e São Paulo, em Roma; os túmulos dos mártires, dos santos, os lugares de aparições marianas e de grande devoção popular.

Assim, o Turismo Religioso tem a idade do cristianismo. Faz parte da nossa identidade de fé, é metáfora da nossa peregrinação rumo à Pátria Definitiva. Cada ida a um lugar sagrado é antegozo do céu, experiência de Tabor. Por isso, o desejo de ficar lá, armar tendas, tanta saudade quando voltamos para a planície do cotidiano atroz.

O Brasil vem descobrindo sua vocação como destino de peregrinações. Aos grandes santuários, como o Nacional de Aparecida, o Divino Pai Eterno, São Francisco das Chagas, Nossa Senhora de Nazaré e Bom Jesus da Lapa vêm se juntando os dedicados aos beatos e santos que vêm sendo elevados à glória dos altares em nosso país e fazendo crescer o desejo de sair de casa e conhecer os lugares onde eles viveram. Assim, Santo Antônio Galvão, Santa Madre Paulina, Bem Aventurada Dulce dos Pobres e tantos outros pelos quatro cantos do país.

O crescimento no numero de peregrinos se deslocando no Brasil abre um caminho enorme de esperança para com a evangelização que brota da religiosidade popular, nas conversões do coração, aprimoramento da vivência de fé e fraternidade sincera.

Mas os desafios são grandes nas duas esferas diretamente ligadas ao Turismo Religiso: Igreja e Governos.

A Igreja já vem fazendo um grande caminho, especialmente, depois da criação da grupo de articulação da Pastoral nos Santuários, sempre encabeçado pelo Reitor do Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Atualmente, o Padre João Batista de Almeida, CSSR. Verifica-se uma crescimento acentuado na compreensão sobre como deve ser uma pastoral de santuário, com suas especificidades e desafios, seus valores e horizontes. Os últimos documentos da Igreja, em especial do Episcopado Latino Americano, vêm salientando a importância da religiosidade popular e, consequentemente, dos santuários.

Os governos, nas esferas federal, estadual e municipal, começam a reconhecer no Turismo Religioso um vetor de desenvolvimento sustentável e de promoção da paz e da concórdia. Alguns sinais deste reconhecimento são dados, em ações isoladas de infra estrutura, formação de mão de obra e divulgação. Mas ainda é muito pouco, diante do grande horizonte apresentado. Ainda são necessárias políticas publicas de estado para garantir a perenidade das ações. Falamos das ações dos governos. As da Igreja, graças a força da Graça de Deus agindo em seu povo, permanecem com ou sem apoio governamental. A Pastoral do Turismo já consegue fazer parte de Conselhos de Turismo Municipal do Turismo em algumas pequenas cidades do interior. Mas precisamos de espaços públicos para defender o Turismo Religioso, bem como as boas praticas na atividade turística como um todo.

Diante dos horizontes e dos desafios, nos resta peregrinar, acreditando que o caminho se faz caminhando e o Evangelho, que nos impulsiona no serviço, também nos encorajará na luta.


Padre Manoel de Oliveira Filho – Coordenador Nacional da Pastoral do Turismo