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11 MAR
[Rádio comunitária combate a desinformação em abrigos para refugiados e migrantes da Venezuela em Boa Vista]

Rádio comunitária combate a desinformação em abrigos para refugiados e migrantes da Venezuela em Boa Vista

As produções são todas realizadas em formato de podcasts curtos, o que facilita a distribuição das gravações entre a comunidade por meio do WhatsApp e Youtube

Redação Fé Católica
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A comunidade de refugiados e migrantes da Venezuela do abrigo Rondon III, em Boa Vista (RR), está enfrentando a desinformação com a rádio comunitária “La Voz de los Refugiados”.

Os programas são todos em língua espanhola, e o som se propaga pelos alto falantes do Rondom III. Em breve os programas serão reproduzidos em outros abrigos da Operação Acolhida – resposta governamental ao fluxo de refugiados e migrantes da Venezuela para o Brasil – na capital do Estado de Roraima.

A inauguração da rádio comunitária “La Voz de los Refugiados” ocorreu há duas semanas, no abrigo Rondon III, que conta com mais de 1.200 refugiados e migrantes venezuelanos – é um dos 12 abrigos temporários da Operação Acolhida.  

A iniciativa é uma realização da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) com a Associação Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI Brasil), com o apoio do governo de Luxemburgo.

“Muita gente no abrigo tem vergonha e dificuldade com o idioma, por isso não perguntam para os brasileiros sobre suas dúvidas. Ainda assim, moradores do abrigo circulam informações não confiáveis entre si. A rádio está ajudando muito, principalmente a estas pessoas”, conta a moradora de Rondon III, Katiuska Rodrigues, 56 anos.

O projeto conta com a participação de onze pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela que criam programas de rádio em formato de podcasts que são distribuídos via WhatsApp e disseminados nos autofalantes de outros abrigos da Operação Acolhida. Assim, esclarecem as dúvidas da comunidade sobre o processo de integração no Brasil e combatem rumores que circulam entre a população abrigada pela Operação Acolhida.

“Esta é uma rádio comunitária, ou seja, uma rádio da comunidade para a comunidade. O grupo de voluntários tem um papel de extrema importância em promover a verdade e a conscientização sobre o compartilhamento de informações nos meios digitais, o que impacta as decisões e futuro de refugiados e migrantes no Brasil”, diz Lucas Ferreira, Assistente de Informação Pública do ACNUR Brasil.

"Falamos sobre leis trabalhistas, discriminação, documentação e vários outras temáticas. Mas o principal é identificar aquele erro de informação, aquela mentirinha que está circulando na comunidade e que pode acabar prejudicando alguém. Quando dizem, por exemplo, que um imigrante pode votar no Brasil. Ou que a fronteira abriu, sem realmente estar aberta", conta Maria Andreina Gil, 35, voluntária do projeto.

O chefe do escritório do ACNUR em Roraima, Oscar Sánchez Piñeiro, reforçou a importância de ter a comunidade protagonizando as produções da rádio, podendo assim realizar entrevistas com especialistas para melhor compreensão de temas como documentação, prevenção à COVID-19, acesso à direitos no Brasil e recomendações para encontrar trabalho. “Esta rádio é de vocês, refugiados e migrantes. A ideia é que vocês compartilhem estas informações e continuem buscando apurar a verdade e responder às preocupações de sua comunidade” disse Piñeiro durante a cerimônia de inauguração.

O projeto

O projeto de rádio comunitária foi selecionado por meio de um edital de inclusão digital da Unidade de Inovação do ACNUR e financiado pela Diretoria de Cooperação para o Desenvolvimento e Assuntos Humanitários do Governo de Luxemburgo. O edital buscou apoiar iniciativas lideradas pela população refugiada e migrante em suas comunidades para combater rumores que circulam entre essa população nos abrigos e por meios digitais si. A iniciativa leva em consideração a rádio como uma ferramenta de comunicação e informação e é baseada em uma abordagem de engajamento da comunidade para identificar dúvidas e fornecer informações relevantes para estas pessoas.

Após a criação e edição dos programas de rádio no estúdio, a infraestrutura de som das áreas sociais e de alimentação dos abrigos transmite os podcasts informativos. Em tempos de pandemia, a infraestrutura de som também contribui para reforçar mensagens de prevenção à COVID-19, bem como transmitir notícias de apoio à integração dos venezuelanos no Brasil e outros avisos gerais.

Além da infraestrutura de som, a rádio comunitária tem um aspecto inovador que facilita a disseminação dos programas de rádio. As produções são todas realizadas em formato de podcasts curtos, o que facilita a distribuição das gravações entre a comunidade por meio do WhatsApp e Youtube. Para isso, um chatbot de Whastapp está sendo desenvolvido para facilitar a comunidade a ter acesso aos programas gravados pela rádio ‘La Voz de los Refugiados’.

Foto: Divulgação | Acnur