Notícias

04 NOV
[Quando não deu]

Quando não deu

O casamento foi celebrado com flores, festas e sorrisos. Era para serem felizes para sempre, mas, depois de alguns anos, o relacionamento revela-se insustentável, o amor já não existe, a fé não foi capaz de reconduzir à reconciliação e à paz. Assim termina a convivência. Após um período de vazio e solidão, cada um busca o seu caminho e encontra um novo relacionamento, uma nova união.

POR ESTAR em segunda união, o casal não está fora da Igreja. João Paulo II é enfático: “Exorto vivamente os pastores ajudarem os divorciados a que não se considerem separados da Igreja, devendo, enquanto batizados, participar de sua vida. Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a participar da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã”.

PORTANTO, não se trata de tudo ou nada! Quem não consegue tudo, lute pelo possível, o melhor possível: cultive a oração como forma de comunhão com Deus; leia a Palavra de Deus; tome parte na celebração Eucarística, mesmo sem comungar; participe na organização da comunidade; empenhe-se na promoção da caridade, da justiça e procure viver bem na família e com todas as pessoas.

A IGREJA é o lugar do perdão, da acolhida e da festa, onde todos têm lugar. Ela não é uma comunidade de perfeitos, pois cada um tem limites, pecados, carências e precisa de ajuda. Os próprios erros podem ajudar outros a evitar os mesmos tropeços. Julgar os outros é sempre um mal. Jesus adverte para não julgar, pois não é o julgamento que salva e sim o amor.

DEUS AMA as famílias, a Igreja, apesar de tantas feridas e divisões, acolhe e acompanha as famílias. Essa deve ser uma das tarefas prioritárias das Paróquias, Pastorais e Movimentos. “Para as pessoas que não tem uma família natural, é preciso abrir, ainda mais, as portas da grande família que é a Igreja.” (João Paulo II, Papa).

NINGUÉM está privado de família neste mundo: a Igreja é a casa e família para todos, especialmente para os que estão cansados e oprimidos. A presença de Cristo, invocada através da oração em família, nos ajuda a superar problemas, a curar feridas e abre caminhos de esperança para todas as pessoas.

Dom Itamar Vian
Arcebispo Emérito
[email protected]