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05 DEZ
[Pesquisadores desenvolvem pílula anticoncepcional com 30 dias de duração]

Pesquisadores desenvolvem pílula anticoncepcional com 30 dias de duração

Cápsula criada por cientistas norte-americanos chega ao estômago, não é digerida e libera a droga contraceptiva gradualmente. Aplicado em porcos, o método tem resultados animadores. Equipe planeja iniciar os testes com humanos


O anticoncepcional oral é um dos medicamentos mais consumidos por mulheres, que precisam seguir a orientação de ingerir a pílula diariamente. A fim de simplificar esse método contraceptivo, pesquisadores americanos desenvolveram uma cápsula que libera a droga que evita a gravidez aos poucos, durante um mês. Experimentos iniciais, feitos com porcos, tiveram  resultados positivos e, segundo a equipe, abrem as portas para  testes com humanos.Continua depois da publicidade

No estudo, publicado na última edição da revista Science Translational Medicine, os cientistas explicam que uma recente pesquisa mostrou que até metade das mulheres que tomam contraceptivos diários relata ter esquecido de tomar o medicamento pelo menos uma vez durante um período de três meses. A partir de então, os pesquisadores decidiram desenvolver um método que continuasse sendo ingerido oralmente, mas em um espaço maior de tempo.

Para isso, se inspiraram em trabalhos anteriores dedicados também à aplicação de medicamentos, como tratamentos para malária, tuberculose e HIV. “Sempre conversávamos sobre o impacto potencial que a liberação prolongada de drogas poderia ter no planejamento familiar. Queríamos ajudar as mulheres a controlar a fertilidade e, agora, temos o prazer de relatar nosso progresso em direção a essa meta”, ressalta, em comunicado, Giovanni Traverso, gastroenterologista, pesquisador médico da Brigham Young University, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo.

Giovanni Traverso e sua equipe desenvolveram uma cápsula composta por seis bastões, unidos por um núcleo com revestimento elástico. Os bastões são carregados com o contraceptivo levonorgestrel, já prescrito para mulheres. Uma vez no estômago, se desdobram e ganham extensão maior, o que ajuda a cápsula a permanecer no órgão, onde pode liberar a droga ao longo do tempo.

Os cientistas testaram a metodologia em porcos. Como comparativo, mediram a presença da droga na corrente sanguínea de animais que receberam a nova cápsula e na de animais que receberam o remédio de forma tradicional. No caso do  comprimido, a dosagem do contraceptivo diminuiu, no organismo das cobaias, após seis horas. Para a forma de liberação prolongada, a equipe observou concentrações do medicamento por até 29 dias.

Segurança

Graças aos resultados positivos, os cientistas pretendem dar continuidade à investigação. Os próximos passos incluirão a ampliação dos processos de fabricação do dispositivo e avaliações de segurança. “Nossa cápsula representa um grande avanço no sentido de fornecer às mulheres um contraceptivo mensal. Para muitos, isso pode ser difícil de acreditar. Mas nossos dados pré-clínicos nos encorajam nesse caminho”, frisa Giovanni Traverso.


Fonte: Correio Braziliense
Foto: Freepik