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06 NOV
[Novo tipo do vírus HIV é descoberto pela primeira vez em vinte anos]

Novo tipo do vírus HIV é descoberto pela primeira vez em vinte anos

Um artigo publicado no período científico Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes (JAIDS) hoje informou a descoberta de um novo tipo de vírus HIV, causador da AIDS. O novo subtipo, desconhecido até então, pode ajudar a planejar futuros surtos e novas formas de tratamento para os portadores.

O novo subtipo em questão pertence ao grupo M do HIV, um dos quatro grupos em que se subdivide o vírus e o responsável pela maior parte dos casos de Aids no mundo, segundo a Revista Brasileira de Análises Clínicas. O organismo foi chamado de "cepa L" e se une a outras dez cepas já catalogadas pela comunidade científica.

Já existiam suspeitas sobre a existência dessa descoberta, no entanto, era necessário que o subtipo fosse identificado em, pelo menos, três indivíduos para que pudesse ser classificado cientificamente.

Os especialistas que trabalham no caso afirmam que a primeira amostra do subtipo L foi coletada entre os anos de em 1983 e 1990, época em que ainda não havia conhecimento o suficiente para o sequenciamento de genomas. Na época, dois indivíduos da República Democrática do Congo, na África, foram identificadas como portadoras.

"Identificar novos vírus como esse é como procurar uma agulha no palheiro. Ao avançar nossas técnicas e usar a nova geração de tecnologia de sequenciamento, puxamos essa agulha com um ímã", declarou Mary Rodgers, uma das autoras do estudo, em comunicado oficial. 

Quais são as vantagens da descoberta?

No Brasil, quase 870 mil pessoas convivem com o vírus da imunodeficiência humana, enquanto o número global ultrapassa a casa dos 37 milhões. Com a identificação desse novo subtipo, agora os cientistas poderão acompanhar o seu funcionamento dentro do organismo humano e a partir disso criar possíveis novos medicamentos e vacinas para o tratamento e erradicação do vírus. 

A descoberta partiu de um programa da área de saúde da Abbott que já dura 25 anos e que tem como objetivo monitorar o HIV e o vírus da hepatite. Desde o começo da empreitada, a empresa coletou mais de 78 mil amostras de vírus e identificou mais de 5 mil subtipos distintos para chegar ao resultado publicado ontem.

 

*Com colaboração UOL
Foto: iStockphoto