Notícias

18 OUT
[Dia Mundial das Missões: Projeto Raquel visa apoiar e dar esperança após o aborto]

Dia Mundial das Missões: Projeto Raquel visa apoiar e dar esperança após o aborto

Saiba como buscar ajuda da iniciativa da Igreja Católica sob sigilo e acolhimento 


Camila de Jesus
[email protected]

Celebrado no terceiro domingo de outubro, o Dia Mundial das Missões é recordado hoje, 18. Este ano, o Santo Padre, Papa Francisco, escolheu como tema: “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6, 8). Para lembrar o intuito e mostrar um dos diversos exemplos da Igreja em Saída que o Pontífice nos evoca, o Fé Católica entrevistou Sônia Maria Lopes Brasileiro Costa, coordenadora do “Projeto Raquel - Esperança após o aborto”, da Arquidiocese de Salvador. 

Sônia relata que o Projeto Raquel é o ministério pós-aborto da Igreja Católica Apostólica Romana, que nasceu nos Estados Unidos, existindo neste e em outros países, e foi fundado em 1984. “Consiste em uma rede de cura - envolvendo profissionais e alguns representantes da Igreja: padres, religiosos (as) e leigos - fundada na misericórdia de Deus, dirigido às mulheres, homens e seus familiares envolvidos com o aborto, tendo como ponto alto o encontro com Cristo nos sacramentos, sobretudo no Sacramento da Reconciliação”, descreve. 

A coordenadora explica que o nome do Projeto recorda a passagem bíblica do livro do profeta Jeremias (capítulo 31, versículo 15) que diz: “É Raquel que chora os filhos, recusando ser consolada: porque já não existem. Mas o Senhor diz: Reprime a tua voz de choro, e as lágrimas dos teus olhos; porque há esperança quanto ao teu futuro”, cita. 

Ela diz que assim como Raquel, muitas outras mulheres convivem com a angústia e a tristeza da perda de um filho. “No caso do Projeto Raquel, a morte da criança é representada pelo aborto”, pontua. 

Cuidado com a vida

O Projeto Raquel atende mulheres e homens de qualquer faixa etária, e  de acordo com a coordenadora apesar de ser um Projeto da Igreja Católica e seus voluntários também serem católicos, todas as pessoas que procuram ajuda, qualquer que seja seu credo religioso, são atendidas. Ela ressalta que o direcionamento para o sacerdote em busca do Sacramento da Reconciliação acontece quando for do desejo da pessoa. 

No contexto do atendimento ofertado, o Projeto oferece acompanhamento espiritual, psicológico e médico “em casos de transtornos mais sérios”, exemplifica Sônia. “O Projeto Raquel atende todas as pessoas que buscam ajuda por estarem sofrendo em consequência de aborto de qualquer espécie. E também aquelas que perderam seus bebês muito prematuramente, ou lhes foi sugerido o aborto terapêutico, situações em que o feto apresentava alguma má formação ou colocava em risco a vida da mãe”, aponta Sônia, ressaltando o sigilo que é mantido pela instituição: 

“Não julgamos, não vamos expor as pessoas, não queremos saber das causas que as levaram à praticarem o aborto, ao Projeto Raquel interessa acolher uma pessoa em sofrimento e dizer a ela que a misericórdia de Deus está para todos”. 

A coordenadora acredita que o medo e a vergonha que as pessoas têm de exporem- se, no caso do aborto provocado, pode levar anos para que elas tenham a coragem em buscar ajuda. “Diante de um sofrimento intenso que, muitas vezes, é evidenciado na vivência de algo em sua vida que lhe remeta a este acontecimento do passado”, justifica. 

Ela ainda destaca que tanto no aborto espontâneo quanto no provocado, “a culpa é o principal sentimento que estas mulheres carregam e com o qual se martirizam por anos”, afirma. 


É preciso apoiar 
Diante da função de coordenadora, Sônia aponta algumas questões que desafiam a realização das ações do Projeto, entre elas a falta de um plano pastoral visando uma conscientização sobre a questão do pós-aborto. 

Ela crê que um programa desse tipo serve a muitos propósitos e públicos. “Aqueles que se envolveram em um aborto geralmente não sabem onde procurar ajuda. Um programa com este viés pode informá-los sobre a ajuda disponível e, se eles participarem, pode também garantir a sensação de segurança que eles precisam antes de se aproximarem de estranhos para pedir ajuda por uma situação que eles consideram muito vergonhosa”, garante. 

No aspecto da ajuda, ela enxerga também que familiares e amigos daqueles que sofrem com as consequências de um aborto podem obter maior conhecimento sobre a experiência, além de ficar a par do ministério de cura pós-aborto da Igreja e adquirir informações e materiais para compartilhar com amigos ou familiares que abortaram, ou casualmente levar o material onde possa ser encontrado por quem precisa. 

Busque ajuda

Para as vítimas e o/ou pessoas ligadas a mulheres que sofreram com o aborto, elas podem buscar apoio e ajuda do Projeto Raquel aqui em Salvador através do telefone: (71) 3491-0918. 

Sônia explica que elas serão atendidas por um voluntário treinado que a partir deste contato encaminha as pessoas para um sacerdote, psicólogo ou outro profissional da rede de apoio, aquele que esta pessoa desejar. E lembrando,  o acompanhamento do Projeto Raquel é sigiloso e individualizado.

Foto: Freepik