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11 SET
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"Bento XVI foi um revolucionário", afirma Papa Francisco em livro TerraFutura

O livro surge a partir de três encontros do Pontífice com o gastrônomo-escritor Carlo Petrini.


Redação Fé Católica
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Um Papa, como Francisco, que como cardeal argentino sentiu "cansaço" pela "insistência com que os bispos brasileiros falavam dos grandes problemas da Amazônia" na conferência de Aparecida e como bispo não entendia qual era o seu papel em relação à "saúde do pulmão verde do mundo". E um agnóstico, ex-comunista e gastrônomo, como Carlo Petrini, fundador do "Slow food", a quem o Pontífice chama de "piedoso" porque "tem piedade da natureza, uma atitude nobre" e "coerente consigo mesmo". Unidos pelas raízes piemontesas comuns".

Do encontro, ou melhor, dos três encontros em dois anos, de maio de 2018 a julho de 2020, nasceu "TerraFutura. Diálogos com Papa Francisco sobre ecologia integral", livro que foi publicado em 9 de setembro que Petrini, também promotor da rede internacional de ecologistas "Terra Madre", publica com a Editora Giunti-Slow Food. O Papa de 83 anos, com antepassados da região de Asti e o gastrônomo de 71 anos e escritor de Cuneo, da região Piemonte. 



Papa Francisco e Carlo Petrini (Capa do Livro) 


No primeiro diálogo foi abordado temas como: gênese da Laudato si’; O percurso: de Aparecida a Laudato si’; A “conversão ecológica” de Jorge Mario Bergoglio; Uma encíclica para todos, não só para os crentes; Não ao egoísmo de pedir demais à Terra; Biodiversidade é rezar a Deus com a própria cultura ; Levar o Evangelho no mundo significa inculturá-lo e por fim a defesa do Sumo Pontífice ao Papa Emérito Bento XVI:  “Bento XVI, um revolucionário”. 

Este conclui-se com Carlo Petrini elogiando os missionários da Consolata e seu testemunho do Evangelho através de um hospital para os índios Yanomani, na Amazônia brasileira, sem proselitismo. Enquanto que o Papa Francisco recorda que foi Bento XVI, em Aparecida, que afirmou que "a Igreja cresce não pelo proselitismo, mas pela atração, ou seja, pelo testemunho", condenando assim o proselitismo.
 

“Por isso me irrito quando dizem que Bento é um conservador, Bento foi um revolucionário! Em tantas coisas que ele fez, em tantas coisas que ele disse, ele foi um revolucionário”, clama. 


A partir do segundo diálogo elenca-se assuntos como o: rumo ao Sínodo Pan-amazônico; Só o ambientalismo não é suficiente, é preciso justiça social; Greta e a mobilização dos jovens “também pelo presente”; Não ao populismo, que usa os instintos dos que estão em dificuldade;  O egoísmo anti-migrante rejeitado com caridade e gentileza; A boa globalização é multifacetada e salva as identidades; A comida, construtor de pontes e amizades; Igreja e prazer: um bem que vem de Deus e Da comida ao cinema: A festa de Babette. 

No que refere-se a Igreja e prazer: um bem que vem de Deus, a afirmação que causou polêmica dessa semana surge a partir, de uma provocação do agnóstico ao Pontífice, afirmando que "a Igreja Católica sempre mortificou um pouco o prazer, como se fosse algo a ser evitado".

O Papa Francisco não concorda e lembra que a Igreja condenou o "prazer desumano, vulgar", mas aceitou o prazer "humano, sóbrio".


“O prazer vem diretamente de Deus, não é católico ou cristão ou qualquer outra coisa, é simplesmente divino. O prazer de comer serve para nos manter saudáveis através da alimentação, assim como o prazer sexual é feito para tornar o amor mais belo e garantir a continuidade da espécie”, aponta.


No terceiro diálogo, ocorre reflexões sobre a pandemia a partir de Uma nova economia, novo protagonismo dos povos; o aumento da consciência da Laudato si’; Tempo de mudar com a descentralização; O Concílio a ser aceito e a Teologia da Prosperidade; Populismos que semeiam medo no povo; Idosos com jovens, os pais de hoje são fracos...; O homem maduro é o que brinca com seus filhos... e por fim a "Querida Amazônia e os índios assediados e descartados". 

Na segunda parte do livro, Carlo Petrini desenvolve e comenta os cinco grandes temas que ele distinguiu na "Laudato si'", integrando-os com discursos e documentos do Papa Francisco. Da biodiversidade, com os capítulos II e IV de "Querida Amazônia", passa à economia, com um trecho de "Evangelii Gaudium" e a carta do Papa aos movimentos populares de abril de 2020. Depois fala sobre migrações, com a mensagem de Francisco para o Dia do Migrante de 2019, de educação, com dois discursos do Pontífice, um dirigido em 2017 aos estudantes e ao mundo acadêmico, o outro a mensagem de 2019 para o lançamento do Pacto Educacional, e por fim, de comunidade, com o discurso à Comece em 2017 e a mensagem para as Comunidades Laudato si’ de 2019.

Com informações do Vatican News
Foto: Reprodução | Vatican News