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10 AGO
[Arigatô, São Francisco Xavier]

Arigatô, São Francisco Xavier

Por José Falcón Lopes
 



Os católicos soteropolitanos que acompanharam as Olimpíadas de Tóquio, cujo encerramento ocorreu na madrugada do último domingo, certamente estão muito felizes com o recorde de medalhas obtido pelo Brasil. Principalmente com as medalhas conquistadas pelos também soteropolitanos Hebert Conceição (ouro no boxe), Ana Marcela (ouro na maratona aquática) e Beatriz Ferreira (prata no boxe).

Mas você já agradeceu a Deus pela intercessão do Padroeiro de Salvador e também Padroeiro do Japão por tantas graças alcançadas?

É isso mesmo. A Cidade do Salvador e os católicos espalhados nas mais de seis mil ilhas que formam o Japão compartilham da intercessão do mesmo padroeiro, o missionário jesuíta São Francisco Xavier, venerado por toda a Igreja como o Padroeiro das Missões, junto a Santa Teresinha do Menino Jesus.
Dizem os antigos que Deus fala pelas coincidências. E nós, católicos soteropolitanos, temos mais fatos em comum com nossos irmãos católicos do Japão do que podemos imaginar.

Como por exemplo, o fato de Salvador ter sido fundada por Thomé de Souza em 1549, mesmo ano em que São Francisco Xavier e o samurai Anjirô, o Paulo de Santa Fé, primeiro japonês convertido ao catolicismo, chegam à cidade de Kagoshima, na Ilha de Kyushu.

Em outras palavras, o cristianismo nasceu há 472 anos em Salvador com os missionários jesuítas que ergueram a Sé de Palha, atual Igreja D’Ajuda, ao mesmo tempo em que nasceu o Sol do Evangelho no Japão com Xavier e Paulo de Santa Fé.

Outra coincidência é o fato de que tanto lá como aqui a violência estatal, a falta de liberdade religiosa e o preconceito forçaram as pessoas a criar sincretismos entre diferentes credos.

Em Salvador, os negros trazidos à força como escravos da África precisaram criar o sincretismo com os santos católicos para manter viva sua fé nas religiões de matriz africana como o candomblé, daí a associação, por exemplo, de Oxalá com o Senhor do Bonfim.

No Japão, foram os cristãos perseguidos, os “kakure kirishitan”, que precisaram associar, por exemplo, Nossa Senhora a Kannon Bosatsu, divindade budista da misericórdia, para tentar escapar da violência dos xoguns no século XVII.

Por tudo isso, os católicos japoneses são hoje uma minoria religiosa, cerca de 500 mil.

Contudo, precisamos aprender com eles a preservar o legado dos nossos mártires e do nossos padroeiro com a construção de basílicas, parques públicos e memoriais dedicados a São Francisco Xavier não só na Ilha de Kyushu, em cidades como Kagoshima, Hirado e Nagasaki, mas na Ilha de Honshu, nas cidades de Yamaguchi, Kyoto, Sakai, Oita e Tóquio, onde a Universidade Católica de Sophia é consagrada a Xavier.

Salvador ainda precisa reparar sua devoção a São Francisco Xavier, uma devoção forte na fé, atuante e missionária, digna do padroeiro da primeira capital do Brasil. Temos um padroeiro milagroso, eleito pelo povo e reconhecido pelo Vaticano desde 10 de Maio de 1686.

Que este artigo ajude a renovar nossa fé em São Francisco Xavier, principal intercessor da Cidade do Salvador junto a Nosso Senhor, dizendo em japonês: Arigato, Franciscus Zabiero. E também em português: Obrigado, São Francisco Xavier.

 


 

 

 

 


 Além de ser devoto de São Francisco Xavier, José Falcón Lopes é jornalista formado pela Facom (UFBA). É casado, pai de dois       filhos e   em  maio deste ano lançou o cordel "São Francisco Xavier, Padroeiro da Liberdade", em parceria com o Padre Gabriel     Guarnieri, SX   (Missionários Xaverianos).