Fe Catolica https://www.fecatolica.com.br Noticias Catolicas pt-br Solmaster Ziza Fernandes e Maninho apresentam Dois, uma parceria de décadas https://www.fecatolica.com.br/noticias/ziza-fernandes-e-maninho-apresentam-dois-uma-parceria-de-decadas/ Álbum acústico reúne composições autorais e releituras e celebra uma amizade de mais de 30 anos marcada pela música e pela fé

A cantora e compositora Ziza Fernandes e o músico Maninho dão continuidade a uma parceria construída ao longo de mais de três décadas com o lançamento de “DOIS – Volume 2”. O novo álbum amplia a proposta iniciada em “DOIS – Volume 1”, reunindo música, amizade e fé em uma experiência essencialmente acústica.

Com produção musical assinada por Maninho, o projeto revisita canções marcantes das trajetórias dos dois artistas e apresenta novos arranjos para um repertório que alterna composições autorais e releituras. Entre os temas presentes no trabalho estão esperança, memória, liberdade e encontro.

“DOIS” dá sequência ao caminho iniciado em “Dois Tempos” e evidencia a sintonia artística construída entre Ziza e Maninho ao longo dos anos. A parceria, porém, ultrapassa os limites da música: os dois compartilham uma história de amizade e uma caminhada marcada pela fé e pela missão artística.

Uma amizade que se transforma em música

Para Ziza Fernandes, trabalhar ao lado de Maninho representa uma experiência que vai além da afinidade musical.

"“Trabalhar musicalmente ao lado do Maninho tem sido uma das experiências mais incríveis da minha vida. Mas, talvez mais do que todos os seus atributos técnicos, o que me faz querer trabalhar ao lado dele para sempre é que ele é um amigo fiel, que um dia me ajudou a voltar para o meu caminho artístico com honestidade, veracidade e qualidade.”"
A artista conta que os dois estabeleceram, ao longo dessa caminhada, um compromisso de buscar sempre excelência no trabalho.
"“Nós fizemos um pacto de nunca fazer algo medíocre, mas sempre entregar o melhor de nós. É uma cumplicidade que vai muito além da música.”"
Para Maninho, o projeto representa a concretização de uma parceria artística que, apesar de existir há décadas, ainda não havia sido registrada de maneira tão direta pelos dois
"“Eu e a Ziza temos uma amizade de mais de 30 anos. Apesar de participarmos muito da vida artística um do outro, ainda não tínhamos um trabalho nosso, dividido Maninho e Ziza, Ziza e Maninho.”"
Segundo o músico, “DOIS” nasceu de maneira natural, a partir da própria convivência entre os artistas e das músicas que fazem parte de sua história.
"“São dois amigos cantando juntos, partilhando músicas que gostam, que fizeram e que costumam cantar quando se encontram.”"
Maninho resume a essência do projeto como um registro espontâneo dessa amizade:
"“É um disco que mostra esse ambiente de amizade e fraternidade, com muita naturalidade, sem grandes manipulações ou tratamentos. É simplesmente música acontecendo entre DOIS amigos que estão se divertindo e partilhando aquilo que construíram ao longo de tantos anos de vida e de estrada.”"

Uma história que atravessa fronteiras

A experiência de “DOIS” também ganhou novos horizontes com uma turnê realizada pela Europa. A dupla levou o projeto a diferentes públicos durante a passagem pelo continente, experiência que também contribuiu para a continuidade da produção e deu origem às gravações dos Volumes 3 e 4.

Assim, o projeto não se limita a um único lançamento, mas se transforma em um registro progressivo de uma parceria que atravessa diferentes momentos, lugares e experiências compartilhadas pelos artistas.

Um momento especial para Ziza Fernandes

O lançamento de “DOIS – Volume 2” acontece em uma fase especialmente significativa da carreira de Ziza Fernandes. A artista foi indicada ao Latin GRAMMY® 2026, na categoria Melhor Álbum de Música Cristã em Língua Portuguesa, pelo trabalho “Primeiro (Ao Vivo)”, realizado em parceria com o trio Jazz&Christ.

A 27ª edição do Latin GRAMMY® está prevista para acontecer no dia 12 de novembro, em Las Vegas.

A indicação internacional se soma agora a um projeto de caráter mais íntimo, no qual Ziza divide o protagonismo com um amigo de longa data e resgata diferentes momentos de suas trajetórias musicais.

Ainda há mais por vir

Com “DOIS – Volume 2”, Ziza Fernandes e Maninho seguem transformando em música uma amizade construída ao longo de décadas. O projeto ainda terá novos capítulos, com os Volumes 3 e 4, registrados durante a experiência internacional da dupla, além de um registro audiovisual previsto para dezembro.

Mais do que uma sequência de lançamentos, “DOIS” se apresenta como o registro de uma história compartilhada: dois artistas, dois amigos e uma caminhada marcada pela música, pela fé e pela cumplicidade.


]]>
Papa Leão XIV conduz terço e procissão das velas no Santuário de Lourdes https://www.fecatolica.com.br/noticias/papa-leao-xiv-conduz-terco-e-procissao-das-velas-no-santuario-de-lourdes/ Papa encerra sua visita a Lourdes com oração junto aos peregrinos e destaca a fé e o testemunho dos enfermos

O papa Leão XIV encerrou sua visita a Lourdes, na França, participando da oração do terço e da tradicional procissão das velas na esplanada do Santuário de Nossa Senhora de Lourdes. O momento reuniu milhares de peregrinos em uma das manifestações de fé mais características do santuário mariano.

Após a oração do terço, o pontífice recordou o pedido feito por Nossa Senhora a Santa Bernadete Soubirous: “Que se venha aqui em procissão”.

“Estamos aqui reunidos esta noite para responder ao pedido que Nossa Senhora dirigiu aos sacerdotes por intermédio de Santa Bernadete: ‘Que se venha aqui em procissão’”, afirmou Leão XIV.

O papa destacou a resposta dos peregrinos ao longo das gerações e manifestou sua alegria por participar daquele momento não apenas como pontífice, mas como um peregrino entre tantos outros.
"“Como é comovente ver o povo fiel, de geração em geração, responder com amor e confiança ao terno convite da Virgem Maria… Dou graças ao Senhor por poder, também eu, responder esta noite ao chamado de nossa Mãe, tornando-me um peregrino entre os peregrinos.”"

Os enfermos como testemunhas de fé

Durante sua reflexão, Leão XIV dedicou atenção especial às pessoas doentes, que ocupam um lugar central na espiritualidade de Lourdes. Para o papa, aqueles que enfrentam a enfermidade podem oferecer um testemunho particular sobre a transformação da existência pela fé e pelo amor.

“As pessoas doentes são testemunhas privilegiadas desta transfiguração da existência através da fé e do amor a Deus e ao próximo”, afirmou.

O pontífice acrescentou que estar ao lado dos enfermos durante a procissão permite compreender de maneira mais profunda a realidade vivida por eles.
"“É preciso vir aqui fazer esta procissão convosco, queridos doentes, para entender plenamente a sua realidade.”"
Na sequência, Leão XIV recordou uma reflexão do papa Pio XII sobre Lourdes, destacando o contraste entre o sofrimento carregado pelos peregrinos e a atmosfera de paz, serenidade e alegria experimentada no santuário.

Para o atual pontífice, encontrar serenidade e alegria em meio à provação é, em si, um testemunho da ação da fé.

Um olhar para além da provação

Em sua mensagem, Leão XIV também convidou os peregrinos a manterem o olhar voltado para além das dificuldades presentes. Segundo o papa, a fé cristã permite enxergar um horizonte que ultrapassa os limites da existência terrena.
"“Deus nos concede a graça de voltar o nosso olhar para um futuro mais distante, para além do nosso horizonte terreno, um futuro de felicidade infinita em Deus, que temos a certeza de alcançar se permanecermos firmes na fé e na caridade.”"
A mensagem encontrou particular ressonância entre os milhares de peregrinos enfermos e seus acompanhantes que participavam da peregrinação.

Peregrinos de diferentes partes do mundo

A visita de Leão XIV coincidiu com a peregrinação nacional da Unitalsi, organização italiana dedicada a acompanhar pessoas doentes em peregrinações a Lourdes. Neste ano, o grupo reuniu mais de 4 mil peregrinos, incluindo crianças em tratamento contra o câncer provenientes de Nápoles, na Itália.

Federica Postiglione, voluntária da Unitalsi há 30 anos, destacou a importância da experiência.
"“A peregrinação, por si só, já é realmente um presente e uma graça. Vir a Lourdes… com o papa, foi muito, muito bonito.”"

Ela também contou que um dos momentos mais marcantes foi observar o esforço do pontífice para se aproximar dos enfermos e cumprimentar algumas pessoas, mesmo diante das barreiras de segurança.

A presença de peregrinos internacionais também marcou a noite. Virginia Wildemann, de Long Island, nos Estados Unidos, contou que já havia enfrentado uma doença e desejava retornar a Lourdes para vivenciar novamente a espiritualidade do local.

Apesar das restrições temporárias provocadas pela visita papal, ela conseguiu recolher um pouco da água de Lourdes e participar da procissão.

Wildemann também destacou a mensagem que levou consigo após ouvir o papa: permanecer unidos, rezar juntos, amar o próximo e cultivar a gentileza nas relações.

Um encontro inesperado com o papa

Entre os peregrinos estava também Ron Denissen, de Delaware, nos Estados Unidos. Ele contou que sua paróquia havia programado a viagem a Lourdes antes de saber que Leão XIV visitaria o santuário na mesma época.

Durante a passagem da comitiva papal próxima ao hotel onde estava hospedado, Denissen decidiu chamar a atenção do pontífice fazendo uma referência ao Chicago Bears, equipe de futebol americano da qual Leão XIV é conhecido torcedor.

“E quando ele estava passando, eu gritei: ‘Go, Bears!’. Ele estava olhando para outro lado, mas então olhou para mim e acenou, e eu tirei uma foto dele bem de perto, olhando para mim e acenando. Então, isso foi bem especial”, relatou.

Uma noite de oração em Lourdes

A oração do terço e a procissão das velas encerraram a passagem de Leão XIV por Lourdes com uma forte expressão da espiritualidade que caracteriza o santuário: oração, peregrinação, cuidado com os enfermos e confiança em Deus.

Ao caminhar entre os peregrinos e rezar com eles, o papa se apresentou, em suas próprias palavras, como “um peregrino entre os peregrinos”, compartilhando com milhares de pessoas um dos momentos mais tradicionais da devoção mariana em Lourdes. ]]>
Ziza Fernandes é indicada ao Latin GRAMMY 2026 com o álbum Primeiro https://www.fecatolica.com.br/noticias/ziza-fernandes-e-indicada-ao-latin-grammy-2026-com-o-album-primeiro/ Reconhecimento internacional destaca a música católica brasileira na principal premiação da música latina

A música católica brasileira ganhou destaque internacional com o anúncio dos indicados ao Latin GRAMMY® 2026. Entre os nomes que concorrem à premiação está a cantora e compositora Ziza Fernandes, indicada na categoria Melhor Álbum de Música Cristã (Língua Portuguesa) com o álbum “Primeiro (Ao Vivo)”.

A indicação representa um momento de grande significado na trajetória da artista, que acumula mais de três décadas de carreira dedicadas à evangelização por meio da música e da arte. A notícia foi recebida por Ziza com emoção e gratidão, especialmente pelo reconhecimento de um trabalho construído ao longo de diferentes fases de sua caminhada artística.

Um encontro entre fé e jazz

“Primeiro (Ao Vivo)” nasceu de uma parceria entre o trio Jazz & Christ, o estúdio Sancta Precatio e a Oficina Viva Music, com produção de Abdias Jr.

O projeto propõe um encontro entre a espiritualidade cristã e a linguagem sofisticada e livre do jazz. O álbum revisita canções marcantes da trajetória de Ziza Fernandes e outras obras importantes da música católica contemporânea, ganhando novos contornos a partir dos arranjos elaborados pelo baixista Marcelo Soares.

A proposta artística amplia as possibilidades de diálogo entre a música de inspiração cristã e diferentes linguagens musicais, preservando a essência das canções enquanto explora novas sonoridades e interpretações.

“Essa alegria não é só minha”

Ao celebrar a indicação, Ziza Fernandes fez questão de destacar que o reconhecimento é resultado de uma caminhada coletiva. Em suas redes sociais, a artista relembrou os mais de 30 anos de carreira e a presença de pessoas que contribuíram para sua trajetória.

> “Olhar para esse caminho percorrido de mais de 30 anos de carreira e reconhecer nele as marcas de tantos amigos, tantas pessoas que me sustentaram… essa alegria não é só minha, é de muitos e eles sabem quem são.”

A cantora também agradeceu aos músicos envolvidos no projeto, entre eles Marcelo Soares, Nando Pontes e Marcos M., além de Haroldo, que participou da construção da parceria. A artista ainda reconheceu o trabalho das equipes de produção e o suporte da ONErpm Gospel/BR na distribuição e divulgação do álbum.

Música católica brasileira em destaque

A indicação de “Primeiro (Ao Vivo)” coloca a produção católica brasileira em evidência no cenário internacional e marca um momento significativo para a trajetória de Ziza Fernandes.

Mais do que o reconhecimento de um álbum, a indicação reúne diferentes elementos da caminhada da artista: décadas de produção musical, evangelização através da arte, parcerias construídas ao longo dos anos e a busca por novas possibilidades estéticas para a música cristã.

Agora, “Primeiro (Ao Vivo)” segue entre os trabalhos indicados ao Latin GRAMMY® 2026, levando consigo uma história construída por muitos artistas, músicos e profissionais que fizeram parte dessa trajetória.


]]>
Desperta é o mais novo lançamento de Guilherme de Sá https://www.fecatolica.com.br/noticias/desperta-e-o-mais-novo-lancamento-de-guilherme-de-sa/ O cantor e compositor Guilherme de Sá apresenta, nesta quinta-feira (10), “Desperta”, segundo lançamento do projeto musical “Notas Para Deus”. O single chega às principais plataformas digitais pela ONErpm, dando continuidade a uma nova etapa da trajetória do artista na música cristã.
Composição de Flávio Vitor, “Desperta” combina a força da escrita do compositor com a identidade vocal e poética de Guilherme de Sá. A canção propõe uma mensagem de despertar espiritual e convida o ouvinte a refletir sobre a necessidade de renovar a esperança e permanecer atento àquilo que realmente importa.
Para Guilherme, a composição chegou em um momento especial de sua caminhada artística.
"“Essa é uma canção que carrega a genialidade e a sensibilidade do Flávio Vitor na composição e, quando ela chegou até mim, senti imediatamente que precisava incluí-la neste momento da minha carreira.”"
Segundo o artista, a música também traz um chamado à vigilância e à renovação da esperança.
"“A faixa faz um convite urgente para renovarmos nossa esperança e nos mantermos vigilantes no que realmente importa. É uma mistura entre o peso da verdade e a poesia que sempre guiou a minha caminhada, e mal posso esperar para que o público sinta essa mesma energia.”"

Um novo momento na trajetória de Guilherme de Sá

“Desperta” integra o projeto “Notas Para Deus”, iniciativa que reúne canções autorais e encontros musicais com nomes importantes da música católica. O trabalho representa mais um capítulo da trajetória de Guilherme de Sá, marcada pela interpretação de canções de forte conteúdo espiritual e pela busca por mensagens capazes de dialogar com a fé e a experiência cotidiana.
Mais do que reunir novas músicas, o projeto nasce da vontade do artista de aproximar diferentes momentos de sua caminhada musical.
"“Esse projeto nasceu justamente do desejo de transitar entre composições próprias e releituras que conversam com a minha essência e com a minha fé”, explica Guilherme."
Com “Desperta”, o projeto “Notas Para Deus” avança em sua proposta de apresentar ao público canções que unem espiritualidade, poesia e identidade artística, mantendo como eixo central a mensagem de fé, renovação e esperança.

Fonte: ONErpm.

]]>
Escutar para cuidar: o papel da Igreja diante dos sofrimentos do nosso tempo https://www.fecatolica.com.br/noticias/escutar-para-cuidar-o-papel-da-igreja-diante-dos-sofrimentos-do-nosso-tempo/ A escuta ganhou particular destaque no caminho recente da Igreja. No processo sinodal convocado pelo Papa Francisco, ela é apresentada como uma dimensão essencial da vida eclesial, da formação e do acompanhamento pastoral.

O Documento Final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, realizado em 2024, chega a indicar a possibilidade de um ministério dedicado à escuta e ao acompanhamento, voltado especialmente a pessoas afastadas ou que buscam reaproximar-se da comunidade.

Ao apresentar o itinerário sinodal, em 2021, o Papa Francisco definiu o percurso como um “dinamismo de escuta recíproca”, lembrando que ouvir é o primeiro compromisso e que não se trata apenas de recolher opiniões, mas de escutar o Espírito.

A mesma perspectiva está presente no pontificado de Leão XIV. Em sua primeira encíclica, Magnifica humanitas, publicada em 25 de maio de 2026 e dedicada à salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial, o Papa recorda a responsabilidade de construir uma sociedade na qual a dignidade de cada pessoa seja protegida e destaca o diálogo como parte da vocação da Igreja.

Na apresentação do documento, fez um convite a “aprender a ouvir uns aos outros, a enfrentar com coragem os desafios do presente e a cooperar na construção de uma sociedade mais humana e fraterna”.

A Igreja como primeira rede de apoio

Há um esgotamento que não vem do trabalho. Vem da saturação. Da avalanche de estímulos e do desamparo de se estar ao alcance de tudo, o tempo todo, mas nunca por inteiro. É o retrato do tempo presente, em que o ser humano nunca esteve tão conectado e, ao mesmo tempo, tão só.

Nas paróquias, esse cansaço tem chegado com nome, rosto e horário marcado. São pessoas que não procuram conselhos prontos nem milagres. O que buscam, muitas vezes, é algo mais simples e mais raro: alguém que as olhe nos olhos, sem pressa, e simplesmente as escute.

O Cônego Ramon Ferreira, pároco da Paróquia Sant’Ana, em Silvianópolis (MG), e especialista em psicanálise, explica que é comum que pessoas em sofrimento de ordem espiritual, psíquica e até civil procurem a Igreja como primeiro apoio. “O padre entra em momentos nos quais talvez nenhum outro profissional entre. Está presente no casamento, no nascimento dos filhos, nas crises familiares, na doença, numa perda, num velório. Muitas vezes conhece várias gerações da mesma família”, diz. “Além disso, existe uma dimensão muito particular no ministério sacerdotal: a pessoa sabe que pode falar de coisas muito íntimas, sobretudo no âmbito sacramental, onde existe o sigilo absoluto”, complementa.

Segundo ele, essa confiança exige responsabilidade para reconhecer os limites e saber até quando o acompanhamento espiritual é suficiente e a partir de que momento se faz necessário o cuidado de um profissional. Direção espiritual, psicoterapia e psiquiatria são realidades distintas que podem e devem conversar, mas não podem ser confundidas. “Considero muito perigoso quando alguém transforma tudo em problema espiritual. Uma depressão não é falta de fé. Uma crise de ansiedade não significa que a pessoa reza pouco. Isso pode inclusive aumentar a culpa de quem já está sofrendo”, alerta o cônego. “A fé pode ser uma enorme força no processo de recuperação, mas ela não nos autoriza a negar a realidade. Se eu quebro uma perna, eu rezo e vou ao ortopedista. Uma coisa não elimina a outra”.

Essa perspectiva reforça a importância de olhar para o ser humano em sua integralidade, sem dividi-lo em gavetas. Corpo, psiquism e espiritualidade estão interligados e, quando uma dessas dimensões sofre, as outras também sentem.

Nessa compreensão, fé e ciência não se colocam como rivais, mas como olhares distintos que se complementam no cuidado da mesma pessoa. Como destaca o cônego, “a graça não destrói a natureza; trabalha nela. Deus pode agir através de uma oração, mas pode agir também através de uma psicóloga competente, de um psiquiatra, de um medicamento bem indicado. Quando cada uma respeita seus limites, elas não concorrem. Elas se completam”.

Pastoral da Escuta: quando ouvir se torna uma missão

Foi diante das muitas demandas que chegam diariamente às paróquias, que nasceu a Pastoral da Escuta. Idealizada pelo padre passionista José Carlos Pereira, teólogo pastoralista e doutor em Sociologia, a iniciativa partiu da percepção de que o atendimento sacerdotal já não dava conta da procura e de que boa parte de quem chegava não buscava confissão, mas alguém que a ouvisse.“Surgiu de uma necessidade que constatei lá pelos idos de 2006, 2007, quando fui pároco de uma grande paróquia no interior de São Paulo. Havia uma demanda gigantesca. Éramos três padres, mas não conseguíamos atender todas as pessoas. Todos os dias, das oito da manhã às cinco da tarde, sempre tinha um padre de plantão. No entanto, a maioria não procurava a confissão. Começamos a perceber que boa parte queria apenas alguém que as escutasse, porque não tinha quem as ouvisse”, recorda.

A percepção deu origem a uma equipe de leigos preparada para oferecer escuta pastoral. O que começou como resposta a uma necessidade concreta de uma paróquia tornou-se uma experiência partilhada com outras comunidades e dioceses. O primeiro grupo tinha cinco pessoas, com plantões na igreja matriz e em duas capelas, em horários fixos.“Começamos a divulgar que havia esse serviço e começou a dar certo. As pessoas procuravam para desabafar”, lembra o padre. Segundo ele, muitas vezes nem era preciso dizer nada: “No final diziam: ‘muito obrigado por você ter me ouvido’”.Quando se tratava de matéria de confissão, o encaminhamento era feito ao sacerdote. A prática, que deu resultado na paróquia, acabou sistematizada no livro Pastoral da Escuta, para que outras comunidades pudessem implantar a proposta.

O sacerdote esclarece que não é necessário ter formação em psicologia para atuar. E, mesmo quando há psicólogos entre os agentes, a abordagem permanece distinta. “Deixamos muito claro que não se trata de escuta no âmbito psicológico nem no âmbito sacramental. Se tiver psicólogo, é muito válido, mas ali ele não vai usar ferramentas da psicologia. É uma escuta espiritual, no Espírito, teológica”, ressalta. “Muitas pessoas podem imaginar que é um trabalho marginal da psicologia, e não é”.

Na Diocese de Taubaté (SP), a psicóloga Raquel Irene de Macedo coordena a Pastoral da Escuta no Santuário Santa Teresinha. Mestra em Ciências pela USP e especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica, ela destaca que o serviço nasceu para oferecer acolhimento e escuta ativa, em atendimentos individuais, sigilosos e por busca espontânea, realizados em salas da igreja, com horário e duração delimitados.“Muitas vezes, a pessoa não precisa de uma resposta pronta ou de alguém que resolva o problema, mas de uma presença disponível, respeitosa e verdadeiramente interessada em escutá-la”, explica.Segundo Raquel, a preparação dos agentes é o pilar da pastoral. Além da boa vontade, é preciso preparo técnico, maturidade emocional e capacidade de se esvaziar para que o outro seja o centro. Os voluntários são formados para sustentar o silêncio sem julgar, aconselhar ou trazer a própria história, com formação humana e espiritual contínua, que inclui postura emocional, limites pastorais e técnicas de entrevista.

Para ela, a procura revela uma carência atual. “Muitas chegam trazendo situações difíceis, culpas, conflitos familiares, lutos ou ansiedades, sem encontrar um espaço onde possam falar sem julgamento. Vivemos em uma sociedade hiperconectada digitalmente, mas profundamente solitária”, observa. A coordenadora ressalta ainda o discernimento na escolha dos agentes. “O desejo de ajudar não se traduz automaticamente na aptidão para escutar. Quem chega querendo ser agente precisa, antes de tudo, ser cuidado. Outros trazem a ansiedade de dar conselhos e precisam aprender a arte do silêncio. O protagonista daquele momento nunca será o agente, mas a pessoa que fala à sua frente.”

O agente está ali para escutar e acolher, não para diagnosticar, tratar ou conduzir a vida da pessoa”, explica Raquel. Muitas vezes, a melhor intervenção é uma pergunta que ajude a pessoa a aprofundar o que vive. A própria escuta ativa permite identificar quando a demanda ultrapassa a proposta e exige encaminhamento.Em situações de crise ou risco, o cuidado é ainda maior. “Diante de sinais de ideação suicida, relatos de violência doméstica, surtos psicóticos ou depressão severa incapacitante, o agente é instruído a não conduzir sozinho. A postura é encaminhar para a rede intersetorial de cuidado e, em risco imediato, para os serviços de emergência”, orienta.

Implantada conforme as orientações do subsídio, a Pastoral da Escuta tem se mostrado uma resposta concreta que se soma aos demais serviços da Igreja. Ao lado da Pastoral da Acolhida, destaca-se hoje como uma das mais relevantes justamente por partir do princípio de que escuta é acolhimento. Em um contexto marcado por solidão e pelo aumento do sofrimento psíquico, o espaço da escuta olho no olho faz diferença. “Mais do que nunca isso é importante. As redes sociais não possibilitam aquela escuta olho no olho, de ser humano para ser humano. Mesmo que você tenha uma escuta a distância, nunca será igual a sentar ao lado de alguém que está ali para te ouvir, para te acolher, não para te julgar”, ressalta o padre José Carlos.

Esse chamado ganha ainda mais sentido em setembro, mês dedicado no Brasil à prevenção do suicídio. A Pastoral da Escuta reforça uma mudança de ênfase: menos respostas prontas e mais espaço para ouvir.

Gabi Bonvechio - Cidade  do Vaticano

Fonte: Vatican News
https://www.vaticannews.va ]]>
Arcebispo de Chongqing é ordenado na China https://www.fecatolica.com.br/noticias/arcebispo-de-chongqing-e-ordenado-na-china/ Foi realizada nesta terça-feira, 8 de setembro, na China, a ordenação episcopal de Andrea Ding Yang, nomeado pelo Papa Leão XIV, em 28 de julho, arcebispo de Chongqing, após a aprovação de sua candidatura no âmbito do Acordo Provisório entre a Santa Sé e a República Popular da China.

Dom Andrea Ding Yang nasceu em 16 de setembro de 1981, no distrito de Hechuan, em Chongqing. De 2000 a 2006, frequentou o seminário de Pequim. Após um ano de estágio pastoral na Paróquia São José, em Yuzhong, Chongqing, foi ordenado sacerdote em 24 de maio de 2007, tornando-se posteriormente vigário paroquial da mesma paróquia.

De 2009 a 2011, permaneceu em Macau, onde aprofundou seus estudos de teologia na Universidade de São José. De 2012 a 2014, foi formador no Seminário Teológico Nacional, em Pequim. Em março de 2014, transferiu-se para Roma, onde frequentou a Universidade da Santa Cruz, regressando à China no ano seguinte. Posteriormente, exerceu o ministério como pároco em Tongliang, Tongnan, Tongguanyi e Jiulongpo, na Arquidiocese de Chongqing.

Fonte: Vatican News
https://www.vaticannews.va
]]>
Sejam testemunhas do amor, da justiça e da paz, pede Leão XIV aos jovens africanos https://www.fecatolica.com.br/noticias/sejam-testemunhas-do-amor-da-justica-e-da-paz-pede-leao-xiv-aos-jovens-africanos/ Os jovens estão no centro das prioridades pastorais em países que passam por crises muitas vezes complexas. Este é o objetivo da primeira edição das Jornadas da Juventude da África Ocidental, que se realizam em Acra, capital de Gana, de 7 a 11 de setembro. O Papa enviou uma mensagem de vídeo ao evento, promovido pela Reunião das Conferências Episcopais da África Ocidental (RECOWA/CERAO), afirmando estar "convencido" de que "estes momentos intensos passados ??juntos os ajudarão a crescerem na fé e a se enriquecerem cada vez mais dos valores como o encontro e a abertura ao outro".
Não perder a esperança

"Vocês não são uma juventude sacrificada, como muitos podem pensar", enfatiza Leão XIV, especificando que os jovens são "o hoje de Deus, o hoje da Igreja". Essas palavras remetem a uma passagem da Mensagem de Bento XVI para a 25ª Jornada Mundial da Juventude, em 2010, na qual o pontífice falou dos jovens como um "tesouro inestimável". Isso é ainda mais verdadeiro para aqueles que vivem em regiões conturbadas, situações que ameaçam o futuro de tantos recursos humanos.

"    “Num momento em que tantas crises parecem obscurecer seu horizonte, quero encorajá-los a seguirem em frente sem perder a esperança. Sei bem como o peso da dúvida, da incerteza e, às vezes, da insegurança pode ser pesado sobre seus ombros e atrapalhar seus planos para o futuro.”"

Construir pontes entre povos, culturas e religiões

A iniciativa africana, que tem como tema "Tenham coragem" (João 16, 33), estruturada em torno da experiência das recentes Jornadas Mundiais da Juventude em Lisboa, surge do desejo dos bispos da região de oferecer aos jovens católicos um espaço comum de fé, encontro e formação. Unir-se "para ajudar a promover mudanças positivas em suas sociedades" é o que o Papa espera para as novas gerações dessas nações. Inspirando-se em Jesus, o apelo de Leão XIV é para que "ninguém seja marginalizado, isolado, excluído ou rejeitado. Sejam construtores de pontes", enfatiza ele, "entre povos, culturas e religiões". O desafio é grande, assim como o incentivo.
"    “Queridos jovens, conto com vocês e confio em vocês; a Igreja confia em vocês. Com as suas palavras e ações, transmitam uma mensagem forte ao nosso mundo, assolado por guerras e conflitos de toda a espécie. Sejam testemunhas do amor, da justiça e da paz. Não sacrifiquem a sua juventude, tão preciosa, no altar dos prazeres efêmeros e da superficialidade.”"

Oração pelo desenvolvimento humano integral das nações

A ideia de um encontro da juventude católica da África Ocidental surgiu de um pedido dos próprios jovens: Burkina Faso propôs a iniciativa em 2019, e os bispos deram sua aprovação no ano seguinte, mas o evento teve que ser adiado devido à pandemia. Muitos enfrentam insegurança, migração irregular, desemprego e pobreza. É preciso coragem para promover um despertar que conduza sociedades inteiras e lideranças rumo ao bem comum e à harmonia. O Sucessor de Pedro está ciente disso e, portanto, reitera a exortação que ele mesmo fez no ano passado em sua Mensagem para a Jornada Mundial da Juventude: não se fechar em si mesmo, mas sair em busca de respostas para as perguntas mais profundas e aos desejos mais autênticos. Sua bênção especial para os trabalhos que começam nesta segunda-feira, 7 de setembro, é acompanhada pelo olhar materno de Maria:

"    “Confio-os à Virgem Maria, Rainha da Paz, pensando especialmente nas pessoas de seus países que, por vezes, têm de enfrentar crises complexas. Que Ela interceda junto de seu Filho, Jesus Cristo, para o desenvolvimento humano integral de suas amadas nações.”"

Fonte: Vatican News
https://www.vaticannews.va
]]>