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A IGREJA DE TERESA DE CALCUTÁ

19/09/2016 às 10:09.
Há alguns dias, todos nós escutamos, repetidas vezes, o nome de Madre Teresa, agora declarada oficialmente, pela Igreja, Santa Teresa de Calcutá. Desse modo, fico pensando no que a canonização de Madre Teresa está dizendo profundamente à Igreja, para além das justas homenagens e manifestações diversas. Sim, esta pergunta me toma agora, pois me recordo, por exemplo, que a presença e a santidade de Francisco de Assis mexeram, intensa e indiscutivelmente, com a caminhada da Igreja.

Guardadas as devidas proporções, podemos dizer o mesmo de São Bento, Santa Teresa D'Avila, São João da Cruz, Santo Inácio de Loyola, São Francisco Xavier, Santa Teresa do Menino Jesus, etc. Diria ainda que Madre Teresa está ao lado de São Francisco de Assis, no que toca à dimensão da sua prática, de seu testemunho para o mundo e da irradiação da sua fé no coração das pessoas. Então, pergunto-me:

1. Que modelo de Igreja esta canonização reforça?

2. Por que o testemunho de Madre Teresa irradia tanto, de tal modo que, mesmo os que não concordam ou não vivem, reconhecem a eloquência, não do seu discurso apenas, mas de sua corajosa caridade?

3. Isto nos permite dizer que há uma linguagem capaz de nos fazer falar ao mundo de hoje? Seria a linguagem do amor verdadeiro, não etiquetado?

4. Será que podemos dizer que muitas das nossas práticas e propostas não tiveram ou não têm alma, pois caímos no burocratismo e na pastoral de manutenção e de verniz? Será que não abandonamos, muitas vezes, as pessoas e ficamos com a lei (e suas interpretações interesseiras)?

5. Qual a novidade de Francisco de Assis? Qual a novidade de Madre Teresa? O Evangelho, simplesmente! O Evangelho apenas? Sim, o Evangelho vivo, vivificando, transformando, pautando as relações fraternas e solidárias, exigindo vivências evangélicas verdadeiras, alicerçadas nas páginas de misericórdia do Mestre Jesus de Nazaré. Certamente, entenderam que em muitos momentos é preciso tomar cuidado para “não jogar a água fora com o menino junto”.

Ainda refletindo! Convido também o leitor/ a leitora a tomar esse exercício também. Estas palavras são apenas fragmentos, o início de uma reflexão, que pode até resultar em uma publicação mais sistematizada. De toda sorte, estamos insistindo no fato de que não ganhamos somente mais uma intercessora – isto é indiscutível, positivamente falando – mas fortalecemos, entre tantas coisas que Madre Teresa viveu e acreditou, que “o irmão é mediação (caminho) necessária para o nosso encontro com Deus”. Trata-se de uma convicção evangélica e mística, que deve incidir na nossa prática eclesial, comunitária e evangelizadora.

Santa Teresa de Calcutá, pedi ao Senhor Jesus que não nos falte coragem para seguir o seu caminho pascal! Santa Teresa de Calcutá, rogai por nós!

Pe. Júlio Santa Bárbara

julioteofaje@gmail.com




Pe. Júlio Santa Bárbara Pe. Júlio Santa Bárbara