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Colunas

O Dever de pregar bem a Palavra de Deus na perspectiva jurídico-pastoral

07/03/2016 às 09:03.
O Dever de pregar bem a Palavra de Deus na perspectiva jurídico-pastoral
Pe. Gerson Pereira de Figueiredo

O Código de Direito Canônico dedica uma parte do livro terceiro intitulado “a função de ensinar da Igreja”, para legislar sobre o ministério da Palavra divina e a pregação da Palavra de Deus. Trata-se dos cânones 756 ao 772, com destaque para o cânone 757 “É próprio dos presbíteros, que são os cooperadores dos Bispos, anunciar o Evangelho de Deus”, e o cânone 762 “Os sagrados ministros tenham grande estima da função de pregar, sendo este entre os deveres principais de anunciar a todos o Evangelho de Deus”, e ainda o cânone 767 “Entre as formas de pregação é eminente a homilia, que é parte da liturgia em si...”, por fim, o que se deve comunicar na homilia é possível encontrar no cânone 768.

O direito universal, nos cânones dispostos no parágrafo anterior e em muitos outros cânones e dispositivos normativos da Igreja, deseja salvaguardar o que é tarefa natural e original da Sagrada Instituição cristã, e para a qual ela libera seus ministros, deixando a estes em primeiro lugar, o dever-direito de pregar o Evangelho. Não obstante haja uma legislação sobre o assunto, a autoridade a ser obedecida não é em primeiro lugar a da lei positiva, mas a autoridade do próprio Senhor (Cf. Mc 16, 15), que deseja ser comunicado. A Igreja ao normatizar essa realidade, oferece aos seus membros a possibilidade de reconhecer, objetivamente, que estão lidando com uma causa pétrea da realidade jurídico-pastoral da Igreja. Até porque se trata de um tema caríssimo para toda a teologia católica, seja no âmbito ministerial-canonico de dever-direito, como na esfera do anúncio do querígma em si.

O Papa Francisco, na sua Encíclica “EvangeliiGaudium”, A alegria de evangelizar, apresenta nos números 135 ao 159, um rico conteúdo sobre a pregação da Palavra de Deus, em especial, sobre a homilia. Ele inicia dizendo que existem inúmeras reclamações acerca do desenvolvimento de tal ministério e que não se pode fechar os ouvidos a essa desagradável realidade. A mais forte palavra do pontífice afirma “a homilia não pode ser um espetáculo de entretenimento”. Falando sobre a tarefa do pregador na homilia, o papa afirma: “o pregador tem a belíssima e difícil missão de unir os corações que se amam: aquele do Senhor e aqueles do seu povo” e continua: “um pregador que não se prepara não é ‘espiritual’, é desonesto e irresponsável em relação ao dom que recebeu”. Fortes e necessárias palavras do Santo Padre.

A normatização do anúncio de pregar a Palavra de Deus é na verdade a canonização da verdade que ela carrega, ou seja, é preciso tutear o deposito da fé cristã, entregue pelo Senhor à sua Igreja. Portanto, que ninguém entenda a oportunidade suprema da homilia como um momento de divertimento pessoal ou de outrem. Ali está o sagrado momento de expor as verdades cristãs, uni-las à vida e à cultura do povo e aprofundá-la no coração das pessoas para que elas sintam a presença de Deus próxima delas e o louvem por isso. Francisco recomenda uma boa preparação antes de pregar, desde uma sincera lectio divina até a tomada de textos complementares que ajudem a compreender o conteúdo bíblico e liga-lo com a vida, de tal modo que a homilia seja realmente um “culto à verdade” inspirada e revelada por Deus, que primeiro encantou a vida do pregador e depois, através dele, alcançará o coração dos ouvintes.

Gerson-fig@bol.com.br



Pe. Gerson Figueiredo Pe. Gerson Figueiredo