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Colunas

Metralhadora?

10/02/2016 às 18:02.
Metralhadora? Vivemos a ditadura das músicas para mercado, a fim de emplacar as carreiras pessoais e aumentar a vaidade, de certos ritmos, suingues e coreografias sensualizadas, dando-nos a impressão até – ingênua, a princípio - de que primeiro se faz a coreografia e depois vem a preocupação com a letra. Na verdade, cantamos “metralhadora” como se fosse a mesma coisa que cantar o “amor”, a “paz”, a “justiça”. Eticamente, não é a mesma coisa! Comumente, vemos a palavra má, negativa, portadora de sentimentos e realidades ruins com mais força em nosso convívio. Isso se faz assim porque nós a reforçamos. É esse cão que mais nós alimentamos!

Jornalisticamente, projetos de resgaste da dignidade pessoal e valorização dos direitos humanos são até noticiados, mas não parece gerar audiência. Os veículos precisam de audiência! Audiência e violência até rimam! Porém, vale tudo pela audiência? Amiúde, a resposta é positiva! Podemos cantar tudo, afirmando que “não tem nada não”? A mulher pode cantar músicas que diminuem a sua dignidade e grandeza?

Paulo Freire já denunciou a “educação bancária”. Ele chamava a atenção para a reprodução do sistema social de submissão feita pelo sistema escolar. A educação é um processo de sujeitos, e não de objeto e sujeito. Penso que é válida essa observação ainda hoje, pois recebemos tantas coisas, passivamente, com mais alegria, com folia, sem clima repressivo. Cuidado! Em educação, não há “besteiras”.

Importante também se perguntar sempre o que move as pessoas e instituições sociais. Por que inocentar esta música? Só por causa da sua pegada? Por causa da sua coreografia bem aclimatada ao carnaval de Salvador?

Não faz muito tempo que discutíamos sobre as “palmadas” nas crianças. Correto! Não podemos gerar mais violência familiar! Só não dá também para pensar que resolvemos tudo. Não estamos refletindo, suficientemente, sobre o nosso papel educacional. De quem é a bola? De todo mundo para não ser de ninguém!

Metralhadora, para uma cantora no trio elétrico – Salve Armadinho, Dodô e Osmar – pode não dizer nada. Claro! Hoje isso pode não ter nada! Amanhã pode significar o reforço de uma sociedade que gera violência e não consegueressocializar os seus membros. Estes são filhos de seu tempo, desta sociedade que acolhe e exclui!

Salve o carnaval da minha querida Bahia! Salve o carnaval do vibrante Pernambuco! Salve o samba nos sambódromos do Rio de Janeiro e de São Paulo! Salve os blocos de rua dos carnavais deste Brasil!

Salve a construção dos valores que devem alicerçar um Brasil mais justo, mais humano, mais solidário! Deixem que esses blocos de vida e cidadania desfilem mais em nossas ruas e avenidas, em nossos circuitos e sambódromos!



Pe. Júlio Santa Bárbara Pe. Júlio Santa Bárbara